O poder da língua

Olá! Estou trabalhando em vários projetos e por isso não tenho atualizado o blog com tanta frequência. Mas manter uma assiduidade nas publicações é uma das minhas promessas de ano novo! Pra terminar 2009 com uma reflexão sobre a nossa língua e o uso que fazemos dela, segue a mensagem abaixo.

O poder da língua

Por volta do ano 2000 antes de Cristo, um mercador grego, rico, queria dar um banquete com comidas especiais. Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria.
O escravo voltou com um belo prato, coberto com um fino pano. O mercador removeu o pano e assustado disse:
- Língua? Este é o prato mais delicioso?
O escravo, sem levantar a cabeça, respondeu:
- A língua é o prato mais delicioso, sim senhor. É com a língua que você pede água, diz “mamãe”, faz amizades, conhece pessoas, distribui seus bens, perdoa. Com a língua, você conquista, reúne as pessoas, se comunica, diz “meu Deus”, reza, canta, conta histórias, guarda a memória do passado, faz negócios, diz “eu te amo”.

O mercador, não muito convencido, quis testar a sabedoria do seu escravo e o enviou novamente ao mercado, ordenando-lhe que trouxesse o pior dos alimentos.
Voltou o escravo com um lindo prato, coberto por fino tecido, que o mercador retirou, ansioso, para conhecer o alimento mais repugnante.
- Língua, outra vez!, diz o mercador, espantado.
- Sim, língua, diz o escravo, agora mais altivo. É a língua que condena, separa, provoca intrigas e ciúmes. É com ela que você blasfema e manda para o inferno.
A língua expulsa, isola, engana o irmão, responde para a mãe, xinga o pai…
A língua declara guerra! É com ela que você pronuncia a sentença de morte.
Não há nada pior que a língua, não há nada melhor que a língua.
Depende do uso que se faz dela.

Autor desconhecido

Metodologia e tecnologia?

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Olá! Hoje trago um videozinho muito interessante produzido pela Universidade Presidente Antonio Carlos:

E então? Será que a tecnologia pode mudar a forma como aprendemos e ensinamos por si só? Não vou me estender na discussão. Reflita e se quiser compartilhar suas ideias conosco, vou ficar muito feliz! Vou terminar com a reflexão de John Maeda em uma entrevista à BBC: “As tecnologias são ótimas, mas elas não tornam o mundo um lugar melhor. O que torna o mundo um lugar melhor são as pessoas.” Acrescento: e o uso que nós fazemos dessas tecnologias.

Teletandem

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… continuando: eu vinha comentando com você sobre como podemos usar as tecnologias para praticar a interação oral em língua estrangeira. Daí, te dei algumas sugestões e uma delas era buscar um parceiro, falante da sua língua-alvo, e usar o computador para conversar. Também te contei que existem alguns projetos que encontram esses parceiros para você.

Um deles é o Teletandem. Pra começar, Tandem é o nome desse tipo de bicicleta onde duas pessoas pedalam num mesmo veículo. A ideia é bem bacana: ambos fazem o esforço para se chegar ao mesmo objetivo, nesse caso, aprender uma língua estrangeira.

Bike Tandem

Tandem: Os dois ciclistas pedalam na mesma direção.

No projeto Teletandem Brasil, são colocados em contato dois alunos de países de línguas diferentes e falantes de línguas nativas diferentes. Cada um ensina a sua língua para o colega de outro país e, assim, os dois vão caminhando juntos, se ajudando no processo de aprendizagem. Infelizmente, esse projeto ainda é restrito a algumas universidades, mas a essência do projeto pode ser aplicada em outras situações. Vale a pena dar uma olhada!

Projeto Teletandem Brasil

Saiba mais sobre Teletandem

Eu falo…

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Bom, como prometi no último post, seguem as dicas sobre como usar as novas tecnologias para praticar a interação oral na sua língua estrangeira.

Para por em prática essa habilidade pelo computador, você vai precisar de um microfone e uma caixa de som. Além disso, você pode baixar algum programa que permita a conversa entre dois computadores. O Skype, por exemplo, usa um sistema de VoIP (voz sobre IP) para permitir que as pessoas se comuniquem como se estivessem em uma chamada de telefone (ou videoconferência, caso você tenha uma webcam), mas através dos seus computadores e sem custos.

Alguns programas de bate-papo, como o MSN, também já oferecem as opções de conversa por áudio ou vídeo. Você já deve ter usado alguma essas ferramentas para se comunicar com amigos, família ou até no trabalho, certo? Mas a questão aqui é: como você pode usar isso para praticar outra língua?

Você pode fazer contato com falantes da língua (as comunidades virtuais, como Orkut e Facebook, são ótimas opções) que quer aprender e usar essas ferramentas para conversar. Existem já alguns projetos que fazem esse contato inicial entre os aprendizes. Quer um exemplo? No próximo post… ¡Hasta luego!

Saiba mais sobre VoIP

Que língua você FALA?

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Quando queremos saber qual língua estrangeira alguém domina, usamos o verbo falar. Percebeu? Não dá pra negar que no mundo em que vivemos existe um destaque muito grande para a comunicação oral.  Nessa forma de comunicação, não estamos falando com as paredes: geralmente, você fala para/com alguém, ou seja, numa situação de interação.

Quando tratei de Podcast, destaquei a nossa necessidade de ouvir para conhecer uma língua. Agora, em algum momento, você precisa começar a falar também, expressar suas ideias, interagir… e você não precisa esperar dar de cara com um falante nativo na rua para soltar o verbo. Dá para interagir oralmente usando algumas ferramentas da tecnologias digitais, sabia? Quer saber? Pergunte-me como.

Hehehehe! Brincadeira. Espere o próximo post que eu te conto!

Imersão

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Imergir quer dizer mergulhar. Existem por aí vários cursos de imersão em língua estrangeira. Em geral, esses cursos proporcionam aos alunos uma temporada (um final de semana, uma semana…) em um local como um hotel fazenda ou algo semelhante, com professores e funcionários que dominam a língua-alvo estudada. A regra é clara: falar em português, nem pensar!

A ideia é que, ao estar ‘imerso’ na língua, você é obrigado a pensar e se comunicar nessa língua o tempo todo. A mesma situação acontece quando você visita um país da língua que vc está estudando. Isso costuma funcionar bem. O problema é que esses cursos custam uma nota!!! E viajar para o exterior nem sempre é uma opção viável.

Porém… o que podemos fazer com a Internet para chegar o mais perto possível de uma situação de imersão? Ok, a realidade virtual ainda não está desenvolvida ao ponto de vc poder se teletransportar para outro lugar (por favor, me avisem quando esse dia chegar!).  Mas dá pra aumentar bastante o contato com a língua estrangeira. Você pode ler uma matéria de jornal todos os dias, por exemplo, ou escutar um podcast, bater-papo com alguém… Enfim, as opções são muitas. De vez em quando eu gosto de procurar receita de comida em espanhol. E vc, o que costuma pescar na sua língua estrangeira enquanto navega por aí?

Ser Interativo

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HDTV. Já ouviu falar?

Semana passada assisti a um simpósio sobre as tecnologias digitais interativas na educação. A TV digital foi o assunto de maior destaque ao longo da semana. O tema despertou o meu interesse e achei que seria legal trazê-lo para o blog.

Mas me deparei com a seguinte questão: existe diferença entre interatividade e interação (será tema de outro post). Mas como explicar que a interatividade é o que fazemos quando escolhemos as ações que o computador irá executar, sem que isso pareça ser algo pragmático ou mecânico? Bom, talvez seja isso mesmo, interatividade é o que acontece entre você e a máquina: você escolhe uma ação e ela responde com outra ação.

Quando isso acontece com a televisão, muda a forma como recebemos a informação. No modelo tradicional, as emissoras escolhem a programação e nós só temos a opção de escolher o canal que queremos assistir, ligar ou desligar o aparelho. Na TV digital, poderemos escolher a grade de programação e além disso, uma das grandes diferenças é que existirá um canal de retorno. O que quer dizer que você poderá enviar mensagens para as emissoras de TV e ver conteúdos adicionais junto com os programas.

Essas opções vão dar mais autonomia para nós, telespectadores. Mas isso pode se converter em algo positivo para a educação, já pensou? Ainda estou ‘processando’ essa nova tecnologia, vou voltar nesse assunto daqui a um tempinho. Por enquanto, deixo dois links interessantes caso você queira se aprofundar no tema:

Interatividade na educação

TV Digital

Mãos à obra!

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Desde que comecei o blog venho trazendo para você vários tópicos sobre a aprendizagem de línguas estrangeiras e como podemos tirar proveito das tecnologias para aprender uma língua. Hoje, sem nenhum merchandising, vou falar de um site em especial que pode te ajudar.

O www.LiveMocha.com é uma mistura de comunidade virtual com curso automonitorado. Quando você se associa a ele (gratuitamente), preenche informações pessoais básicas e indica qual/quais língua(s) você fala e qual/quais quer aprender. A partir daí você tem acesso a um curso da sua língua-alvo (o nível avançado é o único pago), onde você vai ler, falar, ouvir e escrever.

Quando, em um exercício, você escreve um texto ou grava a sua fala, aparece a opção de enviar esse material para algum parceiro. Esse parceiro é um falante nativo ou avançado da língua que você está aprendendo. Ele recebe o seu texto ou gravação, corrige e te envia de volta. O inverso também acontece, os outros membros da comunidade que estão aprendendo a sua língua, enviam os seus textos para que você corrija. Outra opção é escolher alguém pra  bater papo em tempo real. As opções de línguas são bem variadas, vão do inglês nosso de cada dia ao árabe, ou mandarim, ou polonês, ou urdu… Enfim, um curso bem estruturado pra você não ter mais desculpas de que não pode pagar por um curso de língua.

Acredito que na Internet existem muitas outras opções para aprender línguas, além dos cursos que já vêm prontos (e vou trazer informações sobre essas opções mais adiante). Mas o LiveMocha já é um bom começo. Já experimentou essa comunidade? Conhece alguma outra? Compartilhe conosco a sua experiência!

The pollo

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Segue a história que prometi:

Um conhecido meu viajou para a Argentina com a família. Ele não sabia falar quase nada, mas nada mesmo em espanhol. Na hora em que a fome apertou, ele foi a uma rede de fast food na esperança de encontrar alguma comida que lhe parecesse familiar e fosse fácil de identificar. Olhando rapidamente as fotos do painel encima do balcão, ele escolheu um hambúrguer de frango. Foi ao caixa da lanchonete e pediu à atendente: “Frango”. Sem compreender o que ele queria, a moça perguntou outra vez qual era o pedido. “F-R-Á-N-G-O”, ele respondeu em voz bem alta e pausada, tentando falar com sotaque espanhol. A caixa fez aquela cara de ponto de interrogação! E assim o diálogo seguia, ela perguntava o que ele queria e ele respondia “Frángo. Frángo. Frángo!!!” A confusão já estava armada e a fila do caixa cada vez maior. Irritado com a situação, ele não teve dúvidas: armou duas asinhas com os braços e começou a imitar uma galinha: “có-có-có!” Salvo pela mímica! Imediatamente, a caixa reconheceu o que ele queria: “Ah, chicken!” Então ele se deu conta do mico que pagou! Como se tratava de uma lanchonete americana, era só ter pedido em inglês, língua que ele falava muito bem…

Moral da história: antes de passar aperto ou fome numa situação extrema, use todas as suas estratégias de aprendizagem de línguas estrangeiras. Alguma deve surtir efeito!

É hora de usar estratégias de aprendizagem

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Olá! Hoje vamos fazer um pequeno exercício. Quero que você assista a esse vídeo e observe o que acontece na história:

Deu pra entender, não é? A personagem está com o seu amante quando os outros amantes entram em cena e eles começam a discutir (até que chega um ser ‘estranho’ que realmente habla español!). Tudo isso usando o vocabulário que eles conhecem na língua: ¿Qué hora es? Uno, dos, trés. ¡Feliz Navidad! Me llamo David… Apesar das frases não terem relação com a história, conseguimos compreender o que acontece. Isso é possível porque usamos estratégias para contornar a falta de compreensão do vocabulário. Imagine se os personagens dissessem as mesmas frases em russo. Conseguiríamos entender a história porque observamos a movimentação dos personagens, seus gestos, expressões faciais e a sequência de acontecimentos.

Quando nos comunicamos em uma situação de interação, também usamos estratégias para negociar significado. Podemos fazer mímica, descrever o objeto ou ação, usar outra palavra, enfim… Essas estratégias são uma parte importante do nosso processo de aprendizagem e nos acompanham ao longo de todo o percurso.

No próximo post vou contar uma história engraçada sobre como uma mímica ajudou um conhecido meu a não passar fome na Argentina…

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